CAIXAS DE CHOCOLATES, CACAU E BOMBONS FÁBRICA INIGUEZ


Ao analisar esta pequena caixa de Cacau Iniguez,  com o formato de um prisma de base  quadrangular,  verificámos que continha  grande quantidade de informação em todas as suas faces laterais e até na tampa. 

Trata-se de uma Caixa  Portuguesa com as seguintes dimensões: 9,8 x 5,7 x 5,7 cm. Com influências ainda da Arte Nova mas expressando já tendências de uma aproximação  à Arte  Deco, possivelmente do início da segunda  década do séc. XX.  


Caixa de Cacau
A.J.Iniguez & Iniguez - Av. das Cortes - Lisboa
Colecção Nobre Diniz


Esta face apresenta-nos em destaque uma "Figura Feminina Alada" segurando numa das mãos um papel (diploma? carta?) na outra uma coroa  de louros. A figura desloca-se  numa roda com asas sobre o globo terrestre, com um sol radioso como pano de fundo. Tudo isto  com um enquadramento floral e geométrico que nos relembra os recipientes  de guardar chocolates. Um olhar mais atento e minucioso revela um pequeno triangulo com as iniciais "AJI"(António Joaquim Iniguez) distribuídas pelos ângulos internos do triangulo (visível na parte superior do globo).


Neste lado vemos uma moldura semelhante a enquadrar uma  Figura de Senhora com um semblante tranquilo esboçando um sorriso  possivelmente depois de  ter bebido um Cacau Iniguez ou provado os Chocolates e "Bonbons"  desta afamada marca.


Esta vista lateral, também com moldura floral e geométrica (que  nos faz lembrar um "Bonbon") apresenta, em cima,  condecorações, ao centro um rectângulo onde se lê "Cacau Iniguez" e em baixo, dispostas em  forma triangular, as medalhas ganhas em concursos nacionais e internacionais.



Este lateral tem um enquadramento igual ao anterior. Na parte superior lê-se "Fabrica de Chocolates, Cacaus, Bonbons, etc.", no rectângulo central "A.J. Iniguez & Iniguez", na parte inferior "Avenida das Cortes - Lisboa" e em letras minúsculas o fabricante da caixa : "A Metalographia - Porto".


A tampa, com motivos florais e geométricos, apresenta um triângulo central com as iniciais "AJI". Em baixo "Marca Registrada" dentro de uma taça.

Conclusão:

Pelo acima descrito podemos dizer que a Figura de Senhora Alada a correr  mundo é  uma espécie de arauto  anunciando tempos de feição  para o negócio da Fábrica  "A. J. Iniguez & Iniguez". As condecorações  e as medalhas ganhas em concursos nacionais  internacionais visíveis nesta caixa assim o comprovam. 

Especulando esta Caixa de Cacau contém subtilmente elementos que poderão ser considerados  maçónicos

Ficámos a saber mais informações acerca da "Fábrica Iniguez de Chocolates, Cacau e Bonbons, etc." consultando na Hemeroteca Digital a  revista "O Ocidente"  números;

                - 983 de 20 de Março de 1906 

                - 990 de 30 de Junho de1906 (recomendamos a sua leitura).

Num breve resumo:

A "Fábrica Iniguez " foi fundada em 1886 por António Joaquim Iniguez, com instalações na Travessa das Mercês, dedicada à Torrefação e Moagem de Café. 

Passado alguns anos mudou para a Rua D. Carlos onde com maquinaria e técnicas avançadas alargou a sua actividade à área do cacau e chocolate, trabalhando com matéria prima oriunda de São Tomé e Príncipe. 

Em 1906 deu  sociedade ao seu filho Manuel António Iniguez passando afirma a designar-se por A. J. Iniguez & Iniguez.

Pela morada e após alguma investigação, a Rua D. Carlos (assim denominada em 1889, quando da aclamação do Rei) passou a designar-se por Avenida das Cortes depois da implantação da República em 1910. 

A seguir ao final da I Guerra Mundial (1918) tomou a designação de Av. Presidente Wilson.  A partir de 1948 passou a chamar-se Av. Dom Carlos I. 

Como a morada da nossa caixa é Avenida das Cortes estimamos que deve ter sido fabricada  entre os anos de 1911 e 1918.

 A  "Fábrica de Chocolates, Cacau, Bonbons  e etc," competia na altura com os melhores fabricantes da Europa. Mantendo o foco na inovação e no conhecimento. Comercializava  também "Cakula" (pasta à base de cacau, noz de kola e açúcar) e manteiga de cacau.


Hemeroteca Digital: 
"O Ocidente" nº 1009 de 10 de Janeiro de 1907

Em data que não conseguimos identificar a Fábrica Iniguez abriu uma sucursal na Rua Aurea, nº 279 em Lisboa.


Hemeroteca Digital
 "Ilustração Portugueza" nº 489 de 5 de Julho de 1905 

A. J. Iniguez - Caixa de Bonbons - Livro nº 5

A "Fábrica de Bonbons Iniguez" teve como estratégia comercial, possívelmente para aliciar público mais jovem, apresentar os seus bonbons para venda dentro de uma caixa com o formato de um livro.

Além de um pequeno livro de contos para crianças existia um compartimento para acondicionar os bonbons. 



Caixa de Bonbons A.J.Iniguez 
Colecção Nobre Diniz



O conjunto de caixas-livro deu origem à Biblioteca Iniguez. 
O exemplar acima representado ,  com o titulo "Os  Oculos Vermelhos" da autoria de Júlio Rocha e ilustrações de M. S. Cardoso é o número cinco.

Outros livros publicados da Biblioteca Iniguez:
            Nº 1 - O Chapeo do Avô
            Nº 2 - A Menina Pobre
            Nº 3 - O Macaco Guloso
            Nº 4 - Orelhas de Burro

Estas caixas de cartão foram fabricadas pela Oficina Gráfica de Júlio Amorim, Rua dos Arcos, 5, São Bento, em Lisboa, com as seguintes dimensões: 15,3 x 10,0 x 2.4 cm.

A caixa deve ter sido emitida entre o final do  séc. XIX e 1905,  uma  vez que apresenta a marca "A. J. I ",  anterior á entrada na sociedade do filho  de António Joaquim Iniguez (1906)

Podemos considerar  esta  Caixa-livro uma inovação didática e atrativa para esta época. 

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